Daí que eu mudei pra Aracaju (Deus me Livre, para os leitores mais antigos) e que eu dei um pé na bunda da minha carreira em escritórios e agora eu trabalho com obra. É isso ai, junto com a peãozada mesmo. A marmita é ótima! Mas vou explicar melhor: Eu ando nas obras que a construtora faz e fico vendo se as coisas estão sendo feitas conforme deveriam. Daí faço um relatório e mando para o supervisor e o superintendente. É isso ai (novamente)! Cagueta!!! Essa é a minha função na carteira de trabalho.
Mas..... não é só isso.... eu também faço pesquisa. Tenho que procurar coisas novas pelo mundo a fora pra ver se é legal e viável ($$$) para implantar na empresa.
Daí que eu to estudando uns equipamentos ai que custam um pouco mais de 1 milhão e 200 mil reais. E é claro que o povo tá doido pra me vender isso né!
Mas pra comprar tem que me provar que vai valer a pena. E ai? Vai me convencer?
Eis que a representante de vendas desses equipamentos marcou uma visita para eu fazer em uma obra láaaa em Salvador (aqui pertinho, 30 minutinhos de avião). Mas como em Deus me livre não tem avião a todo momento (e voltou a ser deus me livre por conta disso!), eu teria que passar uma noite em Salvador.
Tudo bem! Sem problemas! Pra quem quer vender um milhão em equipamentos.. o que seria uma estadia simples né?
Daí que como a vida toda eu fui pobre, acostumada com as pousadinhas baratinhas, com PF (pra quem não sabe: Prato Feito, de preferência de buteco que vem mais e é mais barato), com garfo de plástico, com chinelo... enfim... eu estava esperando um lugar legal, mas simples, pra passar a noite.
Voltando... cheguei no aeroporto de Aracaju Deus me Livre as 12:30 com o namorado. Almoçamos, ele foi trabalhar e eu fui pra sala de embarque. Avião deveria sair as 14:40, mas só saiu 15:30 (lógico né!).
Cheguei no aeroporto de Salvador 16:10 e a representante de vendas (que vamos, aqui, chamar carinhosamente de “A mulher” - porque ficar escrevendo representante de vendas toda hora vai encher o saco) me pegou no aeroporto, toda simpática e conversadora.
No caminho, enquanto A mulher falava e falava, eu pensava “Que bom, vou chegar cedo no hotel e vou ficar lá o resto da tarde a toa, ô vida boa!”. A mulher fala “Ai!!! Era pra eu ter entrado ali...”. A hora que escutei a dona Mulher falando isso eu olhei pra frente e tinha um mar de carros enfileiradinhos e paradinhos: TRÂNSITO. Pra quem não sabe (e eu não sabia), Salvador é parecido com São Paulo, tem uma merda de transito! Me senti de novo engarrafada na Av. Morumbi as seis da tarde em dia de chuva (visão do inferno).
E lá se foram as minhas esperanças. O carro andava 1 metro e parava, mais 1 metro e parava, mais meio metro e parava de novo. E o retorno parecia ficar em outro estado, porque não chegava nunca. Lá se ia a minha tarde tranqüila. A mulher não parava de falar e o carro não parava de parar!
O retorno surge (pra mim como se fosse o céu) e a gente começa a voltar. Não que o caminho de volta estivesse diferente, mas pelo menos eu sabia que estávamos indo pra direção certa.
Depois de mais meia hora eis que ela diz “Chegamos!”. E foi ai que eu comecei a perceber que ter estudado a minha vida toda tinha valido a pena. O hotel era o BAHIA OTHON PALACE HOTEL. Para você, simples mortal que não conhece, ele fica num barranco e todos os quartos têm visão para o mar. O saguão tinha uns 15 metros de altura e tinham os hominhos com uniforme que carregavam malas (que eu só sabia que existiam em filmes).
Comi, subi pro quarto arrumei minha malinha e me despedi daquela vista fenomenal que provavelmente eu não verei tão cedo... a não ser em fotos como essa que está logo abaixo.
Mas valeu! Nesse dia valeu a pena ter estudado a minha vida inteira! E foi por isso que eu estava lá. Porque eu passei noites em claro estudando feito uma condenada para conseguir passar no vestibular de uma das melhores universidades do país, porque depois de ter entrado eu passei 7 vezes mais noites acordada para conseguir sair de lá. E foi por causa desse diploma que eu consegui um caminho aberto para uma das maiores construtoras do nordeste e por causa dessa construtora que eu pude ficar e comer, de graça, em um dos melhores hotéis de Salvador. E se precisasse fazer tudo de novo... Ah!!!! Eu pediria pra Deus fazer minha mãe ganhar na loteria antes de eu nascer!